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Mães e Pais Perfeitos Não Existem: O Valor dos Erros na Educação dos Filhos



Mãe abraça filho após pedir desculpa, mostrando que mães e pais perfeitos não existem mas o amor é reparador
Mães e Pais Perfeitos Não Existem: O Valor dos Erros na Educação dos Filhos


Mães e Pais Perfeitos Não Existem: Por Que Errar com os Filhos é Parte do Processo


Quando um filho chega ao mundo, nasce também uma enorme responsabilidade: cuidar, proteger, ensinar e amar incondicionalmente. Junto a essa missão, surge um peso invisível — a ideia de que os pais devem ser perfeitos. Que não podem perder a paciência, levantar a voz ou tomar decisões equivocadas.


Mas a verdade é outra. Não existem pais perfeitos. Existem pais humanos, que falham, se arrependem, aprendem e tentam de novo. Errar faz parte do processo de educar. O mais importante não é a ausência de erros, mas como lidamos com eles.


A ciência confirma isso: o cérebro das crianças é plástico, capaz de se adaptar, aprender e cicatrizar. O trauma não nasce de um erro isolado, mas da repetição de experiências marcadas por insegurança, desatenção ou ameaça. A boa notícia é que memórias dolorosas podem ser ressignificadas através de novas conexões afetivas, rotinas estáveis e reparações conscientes.


Neste artigo, vamos explorar:

  • O mito da perfeição parental.

  • Como os erros afetam (ou não) o desenvolvimento da criança.

  • O poder da plasticidade cerebral.

  • Exemplos concretos de erros comuns e formas de reparação.

  • O papel da rotina e da presença.

  • O que a ciência diz sobre vínculos seguros.



O mito da perfeição na parentalidade


A sociedade cria expectativas irreais sobre a parentalidade. As redes sociais mostram famílias sorridentes, casas organizadas e crianças sempre felizes, reforçando a ideia de que bons pais nunca falham.


Essa visão é não só ilusória, como perigosa. Gera culpa constante e medo de errar, quando a realidade é que errar é inevitável. Não existe manual de instruções universal. Cada criança é única e cada contexto familiar tem os seus próprios desafios.


O mais saudável é abandonar a busca pela perfeição e substituir essa meta por outra mais realista: ser suficientemente bom. Isso significa estar disponível, oferecer amor, reparar falhas e dar segurança emocional, sem exigir de si um padrão inatingível.



Como os erros impactam as crianças


Um grito num momento de exaustão ou uma decisão precipitada não determinam o futuro de uma criança. A ciência mostra que um erro isolado não é traumático. O problema surge quando esses erros se tornam padrões repetidos sem reparação.


  • Uma criança que recebe críticas ocasionais, mas depois ouve um pedido de desculpa, aprende que conflitos podem ser resolvidos.

  • Já uma criança, constantemente criticada, ignorada ou exposta a humilhações cresce com a sensação de não ser digna de amor.


Portanto, não é o erro que define o impacto, mas a frequência e a ausência de reconexão.



A plasticidade cerebral: a boa notícia para os pais


O cérebro infantil é altamente plástico, ou seja, tem capacidade de se reorganizar e criar novas conexões ao longo do tempo.


Isso significa que, mesmo que um pai ou mãe falhe, pode sempre reconstruir a ligação. Um pedido de desculpa, uma conversa afetuosa, um abraço após um conflito — tudo isso são experiências que ajudam a ressignificar a memória dolorosa.


O trauma não desaparece por completo, mas perde força quando a criança acumula novas experiências de segurança. É como uma página manchada num caderno: a marca fica lá, mas muitas outras páginas podem ser preenchidas com histórias bonitas.



Erros comuns e como corrigi-los


Aqui estão exemplos concretos de situações do dia a dia em que pais e mães erram — e formas práticas de reparar e transformar esses momentos.


1. Perder a paciência e gritar


Erro: Após um dia cansativo, o pai grita porque o filho demorou a arrumar os brinquedos.

Efeito: A criança assusta-se, pode sentir-se injustiçada ou rejeitada.

Reparação: Quando a calma volta, o pai pode dizer:

Desculpa ter gritado. Estava cansado e reagi mal. O que quero é que aprendas a cuidar das tuas coisas, não que tenhas medo de mim.

Esse gesto mostra que o amor é maior que a falha e ensina a lidar com emoções.


2. Fazer comparações entre irmãos ou colegas


Erro: A mãe diz: “Olha como o teu irmão já fez os trabalhos, por que não és assim também?”

Efeito: A criança sente-se inferior, podendo internalizar a ideia de que nunca é suficiente.

Reparação: Depois, a mãe pode corrigir:

Percebi que não fui justa contigo. Cada um tem o seu ritmo. Quero apoiar-te para encontrares o teu jeito de fazer.

Assim, transforma-se a comparação em valorização da individualidade.



3. Ignorar uma birra ou choro de frustração


Erro: O pai finge não ouvir o choro da filha porque acha exagero.

Efeito: A criança sente que as suas emoções não são importantes.

Reparação: Mais tarde, pode dizer:

Sei que te sentiste triste e parecia que eu não me importava. Eu devia ter parado para ouvir-te. Conta-me o que sentiste.

Com isso, a criança aprende que as emoções podem ser reconhecidas e validadas.



4. Prometer algo e não cumprir


Erro: A mãe promete brincar depois do trabalho, mas acaba por não o fazer.

Efeito: A criança sente-se desvalorizada e perde confiança na palavra da mãe.

Reparação: Na primeira oportunidade, pode assumir:

Ontem disse que ia brincar contigo e não cumpri. Foi injusto. Hoje vou reservar esse tempo só para nós.

Este gesto devolve confiança e ensina responsabilidade.



5. Responder com sarcasmo ou ironia


Erro: Diante de uma pergunta repetitiva, o pai responde com ironia.

Efeito: A criança pode sentir-se ridicularizada.

Reparação: Mais tarde, pode explicar:

Respondi de um jeito que não foi simpático. Desculpa. A tua pergunta é importante para mim.

Isso mostra respeito e abre espaço para novas perguntas no futuro.


6. Castigos desproporcionais


Erro: Por uma pequena desobediência, a mãe decide proibir a televisão durante uma semana inteira.

Efeito: A criança sente que a punição não corresponde ao erro e pode guardar rancor.

Reparação: A mãe pode rever a decisão:

Pensei melhor e percebi que o castigo foi exagerado. Vamos ajustar para que aprendas sem sentir que é injusto.

Assim, a disciplina transforma-se em oportunidade de aprendizagem, não de ressentimento.


7. Usar frases de ameaça


Erro: O pai diz: “Se continuares assim, vou deixar-te aqui sozinho.”

Efeito: A criança experimenta medo de abandono, um dos medos mais intensos na infância.

Reparação: Depois, pode garantir:

Quando disse aquilo, estava nervoso. Nunca te deixaria sozinho. A minha função é estar contigo e proteger-te.

Essa reparação devolve a sensação de segurança essencial para o vínculo.



O papel da rotina e da previsibilidade


Além da reparação, a rotina é um grande protetor emocional. Crianças que sabem a hora de comer, dormir e brincar sentem que o mundo é estável. Essa previsibilidade funciona como uma rede de segurança, ajudando-as a enfrentar melhor os erros ocasionais dos pais.


Rituais simples, como a história antes de dormir, o beijo de boa noite ou a refeição em família, reforçam o sentido de pertença e protegem contra a insegurança.



A força do afeto consistente


Não é a ausência de falhas que constrói vínculos saudáveis, mas sim a presença consistente. Quando os pais estão disponíveis para abraçar, ouvir e acalmar, a criança desenvolve confiança no mundo e em si própria.


Afeto consistente é olhar nos olhos, sorrir, segurar a mão, estar disponível para escutar. Pequenos gestos que, repetidos diariamente, criam uma base emocional sólida.



O que a ciência confirma


  • Van der Kolk (2014) mostra como o corpo guarda marcas emocionais, mas também como pode cicatrizar com novas experiências de segurança.


  • Perry & Szalavitz (2006) relatam casos extremos de crianças traumatizadas que, através de vínculos reparadores, encontraram caminhos de recuperação.


  • Schore (2019) explica que o lado direito do cérebro — ligado às emoções e à empatia — é moldado por interações afetivas, confirmando a importância do vínculo parental.



Pais e mães não precisam de ser perfeitos. Precisam de ser humanos: errar, reconhecer, pedir desculpa, reparar e continuar a oferecer amor.


O que marca o futuro dos filhos não é a ausência de falhas, mas a presença constante de cuidado e a capacidade de transformar os erros em oportunidades de reconexão.


Errar com os filhos é inevitável. Mas amar, reparar e crescer juntos é uma escolha diária que fortalece vínculos e constrói memórias seguras para toda a vida.



FAQ – Perguntas Frequentes


1. Um erro pode prejudicar o vínculo com o meu filho?

Um erro isolado não define a relação. O que importa é a reparação e o padrão geral de afeto e segurança.


2. É errado pedir desculpa ao meu filho?

Não. Pedir desculpa fortalece a relação, ensina empatia e mostra que todos podem aprender com os erros.


3. Como saber se os meus erros estão a deixar marcas negativas?

Se notar medo constante, regressões no comportamento, insónia ou tristeza persistente, pode ser sinal de sofrimento emocional. Nestes casos, é recomendável procurar ajuda especializada.


4. O trauma pode ser superado?

As memórias dolorosas não desaparecem, mas podem ser suavizadas por novas experiências de cuidado e segurança.


5. Como ser um “pai suficientemente bom”?

Estar presente, oferecer amor, manter rotinas previsíveis, reconhecer falhas e reparar quando necessário.

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